Conheça mais sobre as cores do Border Collie
 
A partir de hoje, colocaremos no ar uma seqüência de matérias sobre a genética dos border collies.
 
Inicialmente serão sobre a genética de cores e depois falaremos sobre as doenças que acometem a raça. As matérias serão divulgadas em “capítulos”. 
 
Enquanto a maioria das pessoas pensa em Border Collies como sendo cães preto e brancos, eles na verdade vêm em uma grande variedade de cores (como pode ser visto em nosso próprio plantel). Em todas elas, a marcação tradicional é aquela com a faixa branca na cara, peito e “meias”brancas , um colar e a ponta da cauda brancos. Apesar desta ser a marcação típica, ela pode variar bastante. O padrão da raça (formulado pela FCI) diz apenas que o branco não pode ser predominante.
 
As cores da pelagem são determinadas por uma gama de genes recessivos e dominantes, herdados dos pais. Para qualquer característica recebida,(incluindo as cores) um gen é proveniente do pai e outro da mãe e a distribuição destes genes pode variar entre um filhote e outro dentro da mesma ninhada.
 
A GENÉTICA (o básico!!)
 
Tentarei aqui explicar da forma mais fácil possível para a compreensão de todos, mas é IMPRESCINDIVEL lembrar que enquanto o entendimento da genética das cores pode ser muito útil e de grande importância quando se planeja criar (especialmente quando de uma cor específica), esta deve ser a última preocupação ao pensar em um acasalamento. Os quesitos como saúde, temperamento e tipo, tem que ser pensados antes de se levar em conta a cor. Quando você encontra tudo o que quer em um padreador e em uma matriz, a cor é a “cereja do bolo”.
 
Os folículos do pêlo são constituídos de células contendo dois pigmentos - eumelanina (preto) e fenilalanina (vermelho verdadeiro); então basicamente a eumelanina produz o preto mais escuro e os marrons escuros, enquanto a fenilalanina é responsável pelo vermelho verdadeiro, ou chamado “golden red”. Existe uma enorme quantidade de genes que controlam a produção destes pigmentos dentro das células e então a cor da pelagem.
 
Primeiramente gostaria de relembrar que os genes que controlam as características vem sempre em pares, um vem do pai e outro da mãe. Um gen expressado por letra maiúscula é dominante e um representado com uma letra minúscula, é recessivo.
 
M = Merle
m = não merle 
 
Merle é dominante (representado assim, pela letra maiúscula M)
 
Quando um animal tem dois genes idênticos, é chamado homozigoto e quando possui dois genes diferentes, ele é heterozigoto.
 
MM = Merle homozigoto (dois genes iguais)
Mm = Merle heterozigoto (os dois genes são diferentes)
 
Quando o gen é dominante, o animal só precisa de uma cópia (vinda de qualquer um dos pais) para expressar a cor. Quando o gen é recessivo, o animal PRECISA ter duas copias dele para que a cor possa aparecer no fenótipo, então deve receber um do pai e outro da mãe. Sendo assim, genes recessivos podem ser “carregados”, ou seja, o animal possui apenas uma cópia dele que não é mostrada na coloração, mas que pode ser transmitida aos filhotes.
 
Sendo um animal heterozigótico para um determinado gen (possui uma copia de cada), ele estatisticamente irá transmitir o gen dominante para 50% da ninhada e os outros 50% receberão o gen recessivo. Sendo ele homozigoto, irá transmitir o mesmo para toda a ninhada.
 
 
Gabriela Almeida WWW.bordercollie.com.br
 
 
Cores dos BC´s parte II
 
Voltando a nossa matéria sobre as cores, falaremos sobre o gene de Diluição e o gene de Extensão, mais dois genes que aumentam a gama de possibilidades de cores para os Border Collies,
DILUIÇÃO – “D”
 
O gen ‘d’ é novamente recessivo e atua alterando levemente a forma do pigmento contido nas células do folículo do pêlo, afetando a pigmentação. O gen de diluição age na Eumelanina diluindo o preto em azul e o marrom em lilás.
 
Então: diluído (azul/lias) – dd (homozigoto diluído)
Portador do gen de diluição – Dd (heterozigoto não diluído)
Não portador do gen de diluição – DD (homozigoto não diluído)
Azul e branco / Azul Tricolor
 
Azul é a cor produzida quando o preto (BB ou Bb) é diluído. O gen de diluição é recessivo, exigindo assim duas cópias dele presentes no genótipo para que a cor seja diluída. Os dois pais devem ser portadores do gen da diluição para que ele se manifeste em uma ninhada. Caso dois cães diluídos sejam acasalados, só nascerão
 
Lilás e branco
filhotes também diluídos.
 
Existe uma condição genética, relativamente rara, encontrada tanto em azuis quanto em lilases (também em outras raças, não só em BCs) conhecida como alopecia de diluição (diluição alopécica), que pode causar áreas de falta de pêlo pelo corpo e, particularmente, nas orelhas. É comumente pensado que a criação de diluídos x diluídos irá aumentar a incidência da alopecia de diluição, mas não houve nenhuma evidência que sustente esta tese. Um filhote azul, filho de pais pretos, tem a mesma probabilidade de sofrer desta doença como um filhote cujos progenitores são azuis. (Na verdade, os únicos cães que já vi com a doença, eram filhos de pais pretos). Ainda não existe muita certeza a respeito destes fatos.
 
Assim como no preto tricolor, também há a possibilidade de termos um cão Azul tricolor, mas os azuis tricolores também contam com a presença de dois genes de diluição. Um cão azul tricolor tem duas cópias de ambos, o de diluição e o tricolor. Lembrando que ambos os genes são recessivos.
 
Lilás é a cor produzida quando o marrom (bb) é diluído. Tanto o marrom quanto o gen de diluição são recessivos, portanto duas cópias de cada precisam estar presentes para que um cão apresente esta cor.
 
Assim como o marrom tricolor, mas com a presença adicional dos genes de diluição é o chamado lilás tricolor. Este tem duas cópias do marrom, do tricolor e do gene de diluição. Isso faz desta uma cor bastante rara, já que depende da presença de 3 pares de genes recessivos.
 
EXTENÇÃO – “E”
 
O gen de extensão é o responsável pela produção do vermelho verdadeiro (australian red , ee, golden red).
 
O gen de extensão controla a extensão de dois pigmentos no folículo do pêlo. ‘E’ é dominante e permite a extensão da eumelanina no pêlo , sendo assim o cão é marrom ou preto. ‘e’ é a forma recessiva do gen e permite a extensão da fenilalanina e previne a extensão da eumelanina, ou seja, não há presença de eumelanina no pigmento e o cão é vermelho verdadeiro. O vermelho é uma cor produzida a partir de um gen recessivo e assim o mesmo principio é aplicado, o cão deve ser homozigoto e receber um gen de cada um dos pais para apresentar a cor.
 
Então: vermelho (golden red, ee, australian red) – ee ( homozigoto vermelho)
 
Portador de vermelho – Ee ( heterozigoto não vermelho)
 
Não portador de vermelho – EE (homozigoto não vermelho)
 
O que é interessante sobre este gen, é que ele irá mascarar a cor verdadeira do cão. Você poderá ter cães pretos, marrons, azuis e lilases que irão aparentar serem vermelhos pela falta de eumelanina no folículo do pêlo causada pelo gen de extensão. Isto só afeta os folículos do pêlo e nenhuma outra pigmentação, então o nariz do cão e suas pálpebras irão revelar a cor escondida. Tem ainda um outro risco aqui... o gene merle não poderá se expressar nos cães vermelhos verdadeiros (lembre-se que o merle também atua na eumelanina), então é possível que filhotes vermelhos nascidos de um dos pais merle sejam na verdade merles e você simplesmente não possa ver. Não seja enganado por aqueles que dizem poder ver o merle em filhotes ‘ee’, pois isso é química e fisicamente impossível. 
 
O risco está nestes filhotes serem inadivertidamente cruzados com cães merles, sendo assim um cruzamento merle x merle, e como já sabemos, poderá resultar no nascimento de filhotes com vários problemas. Os criadores responsáveis jamais cruzariam um cão vermelho com um merle.
 
 
Vermelho australiano / amarelo australiano
 
Normalmente chamado de dourado/amarelo ou vermelho australiano, esta cor conta com uma ampla variedade de tons. É mais um gen recessivo, assim duas cópias precisam estar presentes no genótipo do cão para que a cor se manifeste. Ambos os pais precisam ser portadores do gen para que, em uma ninhada, possa-se ter filhotes desta cor. No caso de um cruzamento amarelo x amarelo, todos os filhotes, obrigatoriamente, serão amarelos.
 
Tanto os genes tricolores quanto os merles não poderão se expressar nesta cor, portanto, fazer um cruzamento merle x amarelo (a não ser que você conheça muito bem e a fundo as linhagens) é loucura. Caso o merle carregue o gen amarelo, você provavelmente produzirá merles fantasmas.
 
AGOUTI – “A” e PRETO DOMINANTE – “K”
 
Este gen é responsável pela produção do sable, seal, padrão saddlesback e tricolor nos border collies. Existem multiplos alelos neste gen que ainda não são totalmente compreendidos, mas irei me concentrar nos que dizem respeito aos border collies.
 
ay – sable
 
at – marcação tan (cães tricolores não podem carregar sable)
 
Como já sabemos, cada individuo recebe duas cópias de cada gen, mas este não é tão importante quanto outros que já citamos aqui. Estes exibem dominância incompleta variável. 
 
Geneticamente puro para sable (ay-ay) é normalmente um sable claro, enquanto heterozigoto (ay-at) possui um pouco de coloração mais escura na pelagem (sable sombreado). Esta é a dominância incompleta , onde uma cópia do gen recessivo, produz algum efeito.
 
A suposição feita por criadores de que as diferenças nos graus de sombreamento nos cães sable são determinadas pelo fato de serem homozigotos ou heterozigotos para ‘ay’, é agora sabido não ser tão precisa; Acredita-se que algumas destas muitas variações são causadas por outro gen (ainda não identificado). Testes de DNA para distinguir os alelos ‘A’ nos Shelties, Tervuren/Groenendael, e algumas outras raças é agora oferecido pela Healthgene baseado em recentes descobertas. 
 
O gen agouti é complexo e também é responsável por uma boa quantidade de outros padrões nos border collies e outras raças de cães , como: padrão saddle, wolf, cinchilla e seal.
 
Sable e branco
 
Cada pêlo possui mais de uma cor/tom . Normalmente preto na base e vai clareando(terminando com um marrom claro na ponta). Sables são relativamente raros na raça, e mais uma vez, o gen merle e o tricolor não podem se expressar completamente. Então, como nos amarelos, não é uma boa escolha acasalar um cão sable com um merle, pois você pode produzir merles fantasmas.
 
 
Gabriela Almeida WWW.bordercollie.com.br
 
 
Cores dos BC´s parte III - por Gabriela Almeida
 
MERLE – “M”
 
Merle é um gen dominante, então chamamos de M – merle; m – não merle. Assim s,endo, é necessária apenas uma cópia deste gen para que um cão seja merle, ou seja, apenas um dos pais precisa apresentar a cor para que ela apareça na ninhada. Merle NÃO PODE ser “carregado”, ou seja, um cão só é portador de merle se ele próprio apresentar esta cor! (é um conceito errado, mas muita gente acha que um cão cujo apenas um dos pais é merle é portador. Isto não existe.). 
 
O gen merle atua na pigmentação da eumelanina, levando a uma grande variação nos tons de diluição, deixando assim, uma aparência marmorizada. Este gen atua tanto no preto como no marrom. 
 
A grande maioria dos cães meles é heterozigoto(Mm); isto é, só apresentam uma cópia do gen. Quando se faz um cruzamento merle x merle, terá uma ninhada onde uma parte (aprox.25%) dos filhotes serão homozigoto (MM). Existe uma grande quantidade de problemas de saúde causados por essa combinação genética, como surdez, cegueira, má formação dos olhos, infertilidade, etc. Normalmente estes cães são fáceis de identificar; devido à influencia do gen duplo merle, eles normalmente são excessivamente brancos com pouca coloração e têm olhos pequenos. Devido a estes problemas, dois cães merle não devem NUNCA acasalar e nenhum criador responsável chegaria a cogitar tal hipótese. Não existe nenhum problema de saúde conhecido associado a merles normais heterozigotos. 
 
Então : merle normal e saudável – Mm (merle heterozigoto) 
Não merle – mm ( não merle homozigoto) 
Merle duplo – MM (homozigoto merle) 
 
Blue Merle
 
Merle, por ser um gen modificador, pode, além de atuar na pelagem, também se estender ao nariz e olhos, levando a narizes rosas e olhos azuis ou outras cores “estranhas”. Merle é dominante, então um cão blue merle só terá uma cópia do gen. Quando um cão merle cruza com um de outra cor, sempre podem nascer merles. Blue merle ocorre quando o gen atua sobre a cor preto e branco.
 
 
Profile
Blue Merle Tricolor
 
Igual ao preto e branco tricolor, mas desta vez com o gen merle também presente. Um cão blue merle tricolor tem duas cópias do gen tricolor e uma do gen merle . 
 
 
 
Red merle
 
O mesmo caso dos blue merle, mas desta vez o gen merle age sobre cães marrom e branco. Duas cópias do gen marrom e uma do gen merle estão presentes nestes cães.
 
Red Merle Tricolor
 
Basicamente igual ao marrom e branco tricolor, mas conta também com a presença do gen merle. Um cão desta cor possui duas cópias do gen marrom, duas do gen tricolor (ambas características recessivas) e uma do gen merle (dominante). 
 
Slate merle
 
Mesmo caso do blue merle, mas o gen merle age sobre uma base de preto/branco diluído. Estão presentes duas cópias do gen de diluição e uma do gen merle. 
 
Slate merle tricolor
 
Assim como o azul tricolor, mas desta vez com o gen merle presente. Um cão desta cor, possui duas cópias de ambos os genes ( tricolor e diluição) e uma do gen merle. 
 
Lilás merle
 
Assim como os red merles, mas o gen merle está atuando sobre uma cor base diluída. Estão presentes duas cópias do gen marrom, do gen de diluição e uma cópia do merle.
 
 
Profile
Lilás tricolor merle
 
Igual ao lilás tricolor, mas com a presença do gen merle. Um cão lilás tricolor merle tem duas cópias dos genes: tricolor, diluição e marrom, além de uma cópia do gen merle. É uma combinação de genes muito rara.
 
Gabriela Almeida WWW.bordercollie.com.br
 
 
Cores dos BC´s: Preto, marrom e suas variações
 
PRETO/MARROM – “B”
Então vamos dizer que um animal “normal” é preto… Em um animal chocolate/marrom o grânulo de pigmentação chamado eumelanina tem a forma levemente diferente, o que confere à pelagem uma aparência marrom. O gen dito dominante para esta característica é o “B”, para preto e “b” para marrom. Marrom é um gen recessivo, então, ambos os pais devem tê-lo para produzir filhotes assim. Já o B (preto) por ser dominante, onde estiver será manifestado fenotipicamente. 
 
Então: Todo cão marrom será “bb” (homozigoto marrom). Um cão preto portador de marrom (ou seja, que pode passar o marrom aos filhotes) será “Bb” (heterozigoto preto).
 
Um cão preto não portador de marrom (não pode passar marrom aos filhotes) será “BB” (homozigoto preto).
 
Preto e branco / tricolor
 
Assim sendo, Preto é um gen dominante e a coloração preta e branca irá sempre aparecer caso não haja outro gen modificador.
 
O mesmo que um cão preto e branco, mas com um adicional de marcações tan (canela) nas sobrancelhas , bochechas, pernas e abaixo da cauda, é a coloração chamada de tricolor. Tricolor é um gen recessivo, então para que um cão assim o seja é necessária a presença de duas cópias do gen. Os dois pais devem ser portadores de tricolor para que apareça a marcação na ninhada. Caso dois cães tricolores sejam cruzados, TODOS os filhotes serão tricolores.
 
Marrom e Branco / tricolor
 
Existe uma pequena confusão (internacionalmente falando) em relação ao nome correto desta cor. Os tons podem variar muito e recebem vários nomes como vermelho, marrom, chocolate, fígado, etc... Independente disto, chamaremos de marrom! O marrom é também uma cor recessiva então é necessário que duas cópias do gen estejam presentes no genótipo do cão para que a cor se manifeste. Os dois pais precisam ser portadores do gen para que ela apareça em uma ninhada. Do cruzamento de dois cães marrons, só nascerão filhotes marrons.
 
Os marrons tricolores são cães com a mesma marcação do preto tricolor, mas agora a cor base é marrom. Um cão desta cor deve possuir duas cópias de cada gen (marrom e tricolor) para exibi-la.
 
Ticked (pintado)
 
O padrão pintado é um gen modificador (T) que pode aparecer em cães com qualquer cor base. Preto e branco, marrom e branco, merles... “T” é dominante, ou seja, para que um cão manifeste este fenótipo, basta que tenha uma cópia do gen. Um cão assim, normalmente tem pintas (da mesma cor base) espalhadas nas regiões onde seria o branco.
 
Existem alguns outros genes que modificam essas cores dos Border Collies que citamos aqui, criando uma gama ainda maior de “possibilidades”.
 
 
 
Gabriela Almeida WWW.bordercollie.com.br