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Família leva weimaraner à creche três vezes por semana. Em Copacabana, médica construiu rampa para cachorro enxergar a rua.
 
Uma família que se acostumou a uma rotina que envolve lidar com profissionais de uma creche. Ou outra que tem que resolver alguns problemas domésticos com a ajuda de um psicólogo. Até mesmo encontrar um acupunturista para dores “incuráveis”. Até aí, nada demais, se tudo isso não fosse para um cachorro. Os serviços para cães e gatos cada vez mais se assemelham aos elaborados para os donos, que, muitas vezes tratam o cachorro de casa como filho.
A estudante de arquitetura Juliana Acar comemora o fato de seu weimaraner Ziggy ir à creche três dias por semana. “Ele é uma peste, quando volta de lá não está mais endiabrado. No dia seguinte ele fica em casa, cansado”, contou. Ziggy vai duas vezes por semana para o sítio Casa de Simbad. Pelo serviço, os donos pagam R$ 30 por dia. Lá os cachorros correm à vontade, comem, brincam e “deixam por lá toda a energia acumulada no apartamento”, segundo Juliana.O dono do espaço Daniel de Freitas Mesquita explica que o diferencial do lugar é que os bichos ficam soltos o dia inteiro. “A gente só põe eles no canil na hora de comer e de dormir, quando eles vão para passar a noite. Os cachorros maiores gostam muito de ficar na piscina, os menos não ligam muito. A gente joga bolinha com eles, põe eles para correr. A mangueira com água também faz sucesso”. Daniel disse que o sítio também funciona para hospedagem, em que o cachorro dorme por alguns dias. Para este serviço o preço é, em média R$ 50, dependendo do tamanho do cão e do número de dias que ele ficará hospedado.
Ele e a mulher, Jacqueline César Thompson, têm o local há três anos. E é lá onde eles moram também. “Temos uma limitação de estrutura, por isso só aceitamos 15 cachorros por vez. Geralmente ficamos com uns sete.” E as brigas não são tanto frequentes quanto se pode imaginar: “Só me lembro de duas, geralmente cachorros grandes nem ligam para os pequenos. Até quando os menores ficam pulando nos grandes”, relatou.
 
Psicólogos para cachorros
O mau comportamento de um animal, que antes muitas vezes era resolvido de maneiras politicamente incorretas, agora tem soluções mais embasadas: a zoopsiquiatria, terapia comportamental e antrozoologia (relação entre homens e animais). Cristiane Moll é especialista nos três temas.
 
“A gente observa o animal. Vou para a casa da pessoa, procuro falar com uma ou mais pessoas da família, vejo como cada um vê o comportamento do animal. Dependendo do caso, posso fazer prescrição de remédios. O trabalho é identificar através do proprietário comportamentos que não são desejados. Vamos identificar quais são próprios e normais dos animais. Por exemplo, fazer xixi e latir são normais, mas não em qualquer lugar e não o tempo todo”, explicou. “Às vezes o bicho está querendo passar alguma coisa, e o dono não percebe”, concluiu.