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Segundo plantonistas, cãozinho "apareceu" na sexta-feira (6).
Embora gostem da novidade, policiais querem que animal seja adotado.
 
"Ai que belezinha", diz a menina Ana Júlia da Fonseca, 6 anos, em meio ao plantão policial da zona oeste de Sorocaba, interior de São Paulo. A frase quebra o clima tenso do local, para onde são levados criminosos de todo tipo e onde há vítimas da violência relatando seus dramas. A menina se refere  a um cachorrinho vira-latas que, desde a tarde de sexta-feira (6), escolheu a unidade policial como abrigo. Ainda aprendendo a andar, o cãozinho tornou-se mascote das equipes que se revezam na delegacia a cada turno de 12 horas.
Ninguém sabe como o cachorro chegou até o local. Alguns funcionários da delegacia já procuraram por sua mãe e por outros prováveis filhotes da ninhada, mas não encontraram nada no estacionamento da delegacia ou em imóveis vizinhos. Todos pensavam que o animal deixaria o local discretamente, assim como chegou, mas ele parece ter decidido prolongar a estadia. Na manhã deste sábado (7), já ambientado, ele seguia os investigadores de sala em sala. Ainda sem nome, é chamado por apelidos temporários como Traficante ou Beira Mar, além de outros que remetem à origem criminosa da maior parte dos suspeitos que chegam ao local. Na contramão, um guarda municipal o chamava de delegado.
 
Pedro Dal Boni, o verdadeiro delegado do plantão, encontrou o cão perambulando pela delegacia ao assumir a unidade às 8 horas deste sábado. "Pior que é bonitinho", afirmou, enquanto fazia cócegas no mascote. Perguntado se levaria o cão para sua casa ao final da jornada, o delegado descartou:"Já tenho os meus, mas acho que logo aparece alguém para ficar com ele", afirma.
 
Pedro disse que tentaria entrar em contato com alguma organização de proteção aos animais que se compromete-se a levá-lo para um abrigo, ou ainda o entregaria a algum visitante que gostasse do bichinho. Os pais de Ana Júlia, a menininha que aparece no começo desta matéria, descartaram os planos de adoção da menina. Eles moram em um apartamento pequeno. "Nosso síndico é tão mala, que se entrarmos com o cachorro, quem fcará sem casa somos nós', brincou o arquiteto Fernando Santos, pai da garotinha.
 
Quem se interessar em adotar o cãozinho pode ligar para o plantão policial através do telefone 3222-2525. Apesar de contar com um abrigo municipal, o setor de Zoonoses da Prefeitura de Sorocaba não possui plantonistas aos finais de semana, situação que já foi alvo de muitas críticas por parte da população e de integrantes de entidades que cuidam dos animais.
 
Cão comunitário
Em dezembro de 2011 foi promulgada em Sorocaba uma lei que classifica como "cão comunitário" animais de rua que são adotados pela comunidade. A lei, de autoria do vereador Claudemir Justi (PSDB), estabelece normas de identificação, controle e atendimento aos animais e determina que a Unidade de Controle Animal da seção de Zoonoses da Secretária de Saúde providencie a esterilização, o registro e a devolução do cão à comunidade de origem, após assinatura de termo de compromisso de um cuidador principal voluntário.